Postos para trás os clichés que nos limitam os dias e turvam a imaginação, não deixar de ser de la palisse a verdade que garante que a vida é uma montanha russa.Prefiro reduzir a situação fatalista às fases normais de uma existência que, esperemos, tenha mais altos que baixos embora sejam as descidas que garantam mais adrenalina numa cidade onde passo os dias entre prédios cinzentos e pessoas da mesma cor.
Ao contrário dos que sofrem de ausência de cor são os cinzentos que menos vemos: são aqueles para quem não olhamos em semáforos que teimam em não mudar de cor, nas soleiras das lojas em que já não queremos entrar, no corre-corre de uma vida feita a contar os tostões que nunca chegam e que todos os dias adiam os sonhos na esperança do que há-se ser. Mas nunca é.
A drástica mudança das minhas rotinas semanais fez-me encontrar essa cor, esses rostos nos restos da festa que é a vida. A minha. A nossa. Vivida com poucos sobressaltos e com a certeza de que no próximo fim-de-semana há sempre mais.
Esses cinzentos, como a roupa que trazem, são os que estão atrás de nós. Os que não têm direito à festa, mas se alimentam dela. No casos com mais sorte são os que se alimentam com um ordenado feito de miséria e que nunca lhes permitirá ultrapassar a barreira da condição que lhes foi imposta. São os que consideramos incultos, e que muitas vezes rotulamos de feios e de mal vestidos. São os que ouvem musica que canta os sonhos que querem alcançar.
Outros, alimentam-se dos restos da própria festa: aproveitando as migalhas que indolentemente deixamos para trás. Um copo meio vazio. Um cigarro meio fumado. Um lenço meio usado que não voltamos atrás para apanhar. A roupa que deitamos fora, porque apesar de nova: já não se usa. Dormem nas mesmas soleiras que abrigam os nossos sorrisos e não esperam que no final da noite nos sobre mais qualquer coisa para oferecer que não o desprezo. Mas ficam lá. Por vezes até pedem beijinhos às meninas que passeiam. Elas, cheias de cor. Eles, cinzentos. Não se tocam. Nunca vai acontecer. Até ao dia que o decidirmos. Até ao dia que o clã da noite, olhado - também - de soslaio pelas outras classes se una e mostre respeito por aqueles que têm menos, mas podem ser mais. Está na nossa mão, no nosso dar a mão. Sejam pretos, ou brancos: façam por isso. O mundo agradece. E os cinzentos também.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Gosto disto!
Já não é a ultima moda, mas promete não sair de moda: o Facebook estranhou-se e entranhou-se na vida de toda a gente. Quem não tem, não existe. Ponto Final.
Serve um pouco para tudo: para anunciar paternidades, para criar porcos, para anunciar estados de espiríto e, claro, para anunciar o Estado Civil.
A primeira opção é a Solteiro(a), estrategicamente neste lugar porque as Redes Sociais vivem de relações e por muito que se diga que se adoraaaaaaaa ser solteiro(a): toda a gente quer é ter um outro alguém.Depois aparece o Estado Civil: Numa Relação, Noivo(a), É complicado, Numa relação aberta, Viuvo(a), Separado(a) e Divorciado(a).
É como diria Mr. Roger Sanchez "parecendo dificil... não é nada fácil" definir o Estado Civil no Facebook. Vamos a factos, enquanto vou buscar um guarda-chuva que me proteja dos argumentos:
Ora pois que se É complicado para que é que insistem? Ou é complicado pela multiplicidade de escolhas? E se sim, não significa que estão Numa relação aberta? E se estão numa relação aberta na verdade não significa que estão Numa Relação? Podem mesmo estar Noivos(as) ou serem Solteiros(as) ainda que também possam ser Viuvos (as), Separadas e até Divorciadas. E para estas não poderia existir a hipótese AINDA? "Ainda estou Numa Relação e É complicada, mas brevemente considerem-me Divorciada"? Separada pode querer dizer que há volta, mas Divorciada quer dizer que já foi entregue o bilhete para a volta ao bilhar grande?
Tsss, Tsss: mais vale deixar o campo em branco como a maioria dos Casados que andam por aí... E que afinal estão é Numa relação aberta!!!!!
Serve um pouco para tudo: para anunciar paternidades, para criar porcos, para anunciar estados de espiríto e, claro, para anunciar o Estado Civil.
A primeira opção é a Solteiro(a), estrategicamente neste lugar porque as Redes Sociais vivem de relações e por muito que se diga que se adoraaaaaaaa ser solteiro(a): toda a gente quer é ter um outro alguém.Depois aparece o Estado Civil: Numa Relação, Noivo(a), É complicado, Numa relação aberta, Viuvo(a), Separado(a) e Divorciado(a).
É como diria Mr. Roger Sanchez "parecendo dificil... não é nada fácil" definir o Estado Civil no Facebook. Vamos a factos, enquanto vou buscar um guarda-chuva que me proteja dos argumentos:
Ora pois que se É complicado para que é que insistem? Ou é complicado pela multiplicidade de escolhas? E se sim, não significa que estão Numa relação aberta? E se estão numa relação aberta na verdade não significa que estão Numa Relação? Podem mesmo estar Noivos(as) ou serem Solteiros(as) ainda que também possam ser Viuvos (as), Separadas e até Divorciadas. E para estas não poderia existir a hipótese AINDA? "Ainda estou Numa Relação e É complicada, mas brevemente considerem-me Divorciada"? Separada pode querer dizer que há volta, mas Divorciada quer dizer que já foi entregue o bilhete para a volta ao bilhar grande?
Tsss, Tsss: mais vale deixar o campo em branco como a maioria dos Casados que andam por aí... E que afinal estão é Numa relação aberta!!!!!
quinta-feira, 17 de junho de 2010
AKA
Ando (um) Kito Aparvalhada.
Há dias que acordo sem saber quem é quem numa amalgama de AKAs que me confundem os desejos de ouvir boa música.
Na verdade, há muito que este assunto me perturba: o dos DJ's que trocam de e passam a ser As Known As, com inglesismos que, muitas vezes, não têm qualquer tipo de lógica.... Sequer a linguística.
Este é mesmo um puzzle sobre o qual vale a pena reflectir.
Realmente, digamos, que José Manuel não é um daqueles nomes muito sonantes para um DJ que se procura afirmar, mas não é a transformar isso num Johnny Michael que as datas vão começar a cair.
Eventualmente, seria necessário não cair no ridiculo e evitar a qualquer custo escolher AKAs sem qualquer sentido e, ainda mais do que isso, sem qualquer sentido de ética.
Escusado será ir buscar os inumeros paralelismos com "Zouk" que andam por aí, quando DJs como o Emanuel se vêm obrigados a alterar o nome porque de repente já ninguém sabe quem é quem. (Emanuel agora assina D'Imannu Emanuel para que não existam mais dúvidas).
Igualmente populares são os Soul: Brothers, United, Matter, System, House... A baralhação é tal que numa altura em que me dizem que cada vez menos se aposta nos flyers é que começamos mesmo a precisar deles. Caso contrário nunca chegaremos a perceber ao certo quem estará na cabine do Club que escolhemos para mais uma noite que queremos unica.
Cereja no topo do bolo desta questão, que poderia ter apenas a ver com a vontade de internacionalizar uma marca (mas que é só um caso de usurpação), são as nomenclaturas a lembrar alguns Top DJs internacionais. Escuso-me a exemplos porque são tantos que seria até de mau gosto deixar alguém de fora.
Estrategicamente um nome "sonante" é uma boa forma de vender um produto, mas numa altura que nada se inventa, esperemos que mais ninguém se transforme somente em (mais um) mau exemplo do que é o mercado português.
Há dias que acordo sem saber quem é quem numa amalgama de AKAs que me confundem os desejos de ouvir boa música.
Na verdade, há muito que este assunto me perturba: o dos DJ's que trocam de e passam a ser As Known As, com inglesismos que, muitas vezes, não têm qualquer tipo de lógica.... Sequer a linguística.
Este é mesmo um puzzle sobre o qual vale a pena reflectir.
Realmente, digamos, que José Manuel não é um daqueles nomes muito sonantes para um DJ que se procura afirmar, mas não é a transformar isso num Johnny Michael que as datas vão começar a cair.
Eventualmente, seria necessário não cair no ridiculo e evitar a qualquer custo escolher AKAs sem qualquer sentido e, ainda mais do que isso, sem qualquer sentido de ética.
Escusado será ir buscar os inumeros paralelismos com "Zouk" que andam por aí, quando DJs como o Emanuel se vêm obrigados a alterar o nome porque de repente já ninguém sabe quem é quem. (Emanuel agora assina D'Imannu Emanuel para que não existam mais dúvidas).
Igualmente populares são os Soul: Brothers, United, Matter, System, House... A baralhação é tal que numa altura em que me dizem que cada vez menos se aposta nos flyers é que começamos mesmo a precisar deles. Caso contrário nunca chegaremos a perceber ao certo quem estará na cabine do Club que escolhemos para mais uma noite que queremos unica.
Cereja no topo do bolo desta questão, que poderia ter apenas a ver com a vontade de internacionalizar uma marca (mas que é só um caso de usurpação), são as nomenclaturas a lembrar alguns Top DJs internacionais. Escuso-me a exemplos porque são tantos que seria até de mau gosto deixar alguém de fora.
Estrategicamente um nome "sonante" é uma boa forma de vender um produto, mas numa altura que nada se inventa, esperemos que mais ninguém se transforme somente em (mais um) mau exemplo do que é o mercado português.
terça-feira, 25 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Do apogeu e da queda
A palavra mais repetida nos últimos meses, anos, é crise. Tudo e todos estamos em crise. Desde que acordamos até ao anoitecer. E mesmo nos nossos pesadelos a palavrinha que nos arruína a vida, não desiste. Está lá a todas as horas, menos às 05h39 da Foz do Porto.
De regresso de um DJ set (obrigada Arcádia, já agora!) resolvi fazer uma paragem para re-abastecimento nocturno no muito badalado Bela Cruz. Além do feedback que tenho recebido enquanto local onde se quer estar, nesse Club trabalham amigos.
Eram 05h39 de uma noite de sábado e do Club emanava o mega playlist hit Babylonia. Depois de encontrar, com dificuldade, um lugar para o meu smart: retoquei o gloss e fiz-me ao piso.
Nos 2 metros em que caminhei até ao bela Cruz pensei no shot que ia beber com o Alexandre, no sorriso que ia trocar com a Sandra e na cumplicidade com a Sónia e com a Inês.
Feliz, sorri à deslambida que estava à porta.
Ela, no seu salto da Feira Internacional de Custoias lá conseguiu informar-me, com o maior tom de frete possível, que o porteiro já tinha ido embora: “não tenho cartões, não dá para entrar”.
Aleguei que queria cumprimentar um amigo: “coisa para dez minutos”. Dupla negação.
O meu fígado, agradece. Isto fechará as 05h00? Quando é que em Portugal se começa a trabalhar à comissão?
Dormiria calmamente sobre o assunto se não me lembrasse da dita crise. A crise que também afecta a noite e que fecha clubs, às vezes pela falta de clientes ou, se calhar, pela forma como os mesmos são tratados.
Quando os espaços estão em alta conseguem descurar pormenores tão vitais quanto a recepção ao cliente, mesmo que a resposta possa ser um simpático: “O Club está lotado”. No apogeu somos todos heróis.
Depois, erro sob erro, chega a queda. É aquela altura em que as portas estão abertas de par em par e são os clientes que optam por passar ao lado.
Muito ao lado é ter na porta pessoas sem formação para um trabalho que requer educação e requinte. E num pormenor tão pequeno (quanto a forma como se indica que não é possível a entrada) conseguir arruinar o trabalho de toda uma equipa. É que como dezenas de outros anónimos… Ainda sei onde quero gastar o meu dinheiro e como quero ser atendida. Cruz credo! Estou de “Bela” aviada para outras paragens com aragens que não me cheirem a crise…. De valores!
De regresso de um DJ set (obrigada Arcádia, já agora!) resolvi fazer uma paragem para re-abastecimento nocturno no muito badalado Bela Cruz. Além do feedback que tenho recebido enquanto local onde se quer estar, nesse Club trabalham amigos.
Eram 05h39 de uma noite de sábado e do Club emanava o mega playlist hit Babylonia. Depois de encontrar, com dificuldade, um lugar para o meu smart: retoquei o gloss e fiz-me ao piso.
Nos 2 metros em que caminhei até ao bela Cruz pensei no shot que ia beber com o Alexandre, no sorriso que ia trocar com a Sandra e na cumplicidade com a Sónia e com a Inês.
Feliz, sorri à deslambida que estava à porta.
Ela, no seu salto da Feira Internacional de Custoias lá conseguiu informar-me, com o maior tom de frete possível, que o porteiro já tinha ido embora: “não tenho cartões, não dá para entrar”.
Aleguei que queria cumprimentar um amigo: “coisa para dez minutos”. Dupla negação.
O meu fígado, agradece. Isto fechará as 05h00? Quando é que em Portugal se começa a trabalhar à comissão?
Dormiria calmamente sobre o assunto se não me lembrasse da dita crise. A crise que também afecta a noite e que fecha clubs, às vezes pela falta de clientes ou, se calhar, pela forma como os mesmos são tratados.
Quando os espaços estão em alta conseguem descurar pormenores tão vitais quanto a recepção ao cliente, mesmo que a resposta possa ser um simpático: “O Club está lotado”. No apogeu somos todos heróis.
Depois, erro sob erro, chega a queda. É aquela altura em que as portas estão abertas de par em par e são os clientes que optam por passar ao lado.
Muito ao lado é ter na porta pessoas sem formação para um trabalho que requer educação e requinte. E num pormenor tão pequeno (quanto a forma como se indica que não é possível a entrada) conseguir arruinar o trabalho de toda uma equipa. É que como dezenas de outros anónimos… Ainda sei onde quero gastar o meu dinheiro e como quero ser atendida. Cruz credo! Estou de “Bela” aviada para outras paragens com aragens que não me cheirem a crise…. De valores!
sexta-feira, 2 de abril de 2010
O cursor que pisca
É realmente irritante quando queremos escrever uma crónica e confiamos na nossa capacidade de o fazer nos ultimos tres minutos antes de acabar o deadline da edição.
Fico a olhar para o cursor a piscar incessantemente enquanto vários temas passam pela minha cabeça a mais, a muito mais, de 120 kms/hora. Nem sequer tenho tempo de os multar por serem muito bons, ou maus que dói.
Penso em escrever sobre wannabes, sobre bonecos e cd's pendurados em retrovisores de carros geralmente vermelhos e um nadinha rebaixados, penso em escrever sobre os mais estúpidos akas que os DJs escolhem nos dias de hoje. Mas nada me agrada. Já vos aconteceu o mesmo?
É assim um genero de sabado à noite em que começamos por sair não completamente convencidas do modelo que escolhemos. Depois percebemos que o nosso restaurante favorito está cheio e quando entramos na segunda escolha, ficamos com a pior mesa e inevitavelmete optamos por aquele prato que ainda não tentamos e que consiste num micro pedaço de carne e dois montinhos de grelhos que vão acabar por enfeitiçar muito do ambiente à nossa volta ao longo da noite.
É nesse momento que vamos ao WC e que entendemos que, com a habitual pressa, apenas maquilhamos um olho, ou melhor ainda, metade do baton já está colado nos dentes da frente e alguns dos ditos grelos presos nos laterais. Não é glamouroso, mas acontece: a todas.
Eu tenho uma teoria em relação a esta súbita falta de inspiração e não, não vou culpar a timida primavera que já deveria ter rebentado, inclusivamente com as hormonas.
Na verdade eu acho que a culpa é do Facebook: podem ser o futuro, mas as redes sociais estão a dar cabo das boas crónicas. De cada vez que acontece uma coisa excitante é só pegar no Blackbery e actualizar o estado em vez de matutar no assunto e escrever um texto capaz de vos prender durante os quinze minutos em que deveriam, diariamente, escovar os dentes para que o fluor faça realmente efeito e se evite a tal da placa. A minha diz STOP.
Para o próximo mês prometo regressar com um tema mais quente que as roupas da Beyoncé, nem que para isso tenha de desistir do Farmville que, por falar nisso, já me anda a enervar mais do que as empregadas de bar que ainda nao sabem dizer "Boa Noite" e acham que um top acima do umbigo é "the ultimate fashion statement". E com esta vou ver com o Dexter está capaz de matar neste episódio. Como estou longe, sei que a falta de latim de qualidade me tira das lista dos candidatos. Shame on me, mas todos temos dias assim.
Fico a olhar para o cursor a piscar incessantemente enquanto vários temas passam pela minha cabeça a mais, a muito mais, de 120 kms/hora. Nem sequer tenho tempo de os multar por serem muito bons, ou maus que dói.
Penso em escrever sobre wannabes, sobre bonecos e cd's pendurados em retrovisores de carros geralmente vermelhos e um nadinha rebaixados, penso em escrever sobre os mais estúpidos akas que os DJs escolhem nos dias de hoje. Mas nada me agrada. Já vos aconteceu o mesmo?
É assim um genero de sabado à noite em que começamos por sair não completamente convencidas do modelo que escolhemos. Depois percebemos que o nosso restaurante favorito está cheio e quando entramos na segunda escolha, ficamos com a pior mesa e inevitavelmete optamos por aquele prato que ainda não tentamos e que consiste num micro pedaço de carne e dois montinhos de grelhos que vão acabar por enfeitiçar muito do ambiente à nossa volta ao longo da noite.
É nesse momento que vamos ao WC e que entendemos que, com a habitual pressa, apenas maquilhamos um olho, ou melhor ainda, metade do baton já está colado nos dentes da frente e alguns dos ditos grelos presos nos laterais. Não é glamouroso, mas acontece: a todas.
Eu tenho uma teoria em relação a esta súbita falta de inspiração e não, não vou culpar a timida primavera que já deveria ter rebentado, inclusivamente com as hormonas.
Na verdade eu acho que a culpa é do Facebook: podem ser o futuro, mas as redes sociais estão a dar cabo das boas crónicas. De cada vez que acontece uma coisa excitante é só pegar no Blackbery e actualizar o estado em vez de matutar no assunto e escrever um texto capaz de vos prender durante os quinze minutos em que deveriam, diariamente, escovar os dentes para que o fluor faça realmente efeito e se evite a tal da placa. A minha diz STOP.
Para o próximo mês prometo regressar com um tema mais quente que as roupas da Beyoncé, nem que para isso tenha de desistir do Farmville que, por falar nisso, já me anda a enervar mais do que as empregadas de bar que ainda nao sabem dizer "Boa Noite" e acham que um top acima do umbigo é "the ultimate fashion statement". E com esta vou ver com o Dexter está capaz de matar neste episódio. Como estou longe, sei que a falta de latim de qualidade me tira das lista dos candidatos. Shame on me, mas todos temos dias assim.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O dia marcado
Confesso que gosto de dias marcados. Gosto do dia do ginásio, do dia da pescada cozida e do dia de sábado, sobretudo quando já é quase domingo.
Mas há um destes dias com marcação na agenda mundial que me deprime. E é um daqueles que está mesmo a chegar.
Já vi algumas almofadas pirosas a lembrar a celebração e até a minha fozeira florista favorita já se dedica a raminhos de valor super inflacionado só para celebrar o dia dos namorados.
Entendo que depois da euforia natalícia seja necessário que o comércio invente algo mais para espevitar as vendas de inicio de ano, mas não poderia ser um qualquer outro motivo que não o amor? Quem ama precisa de um dia marcado para o mostrar? Quem ama tem de (des)gastar dinheiro num presente quase infantilmente ridículo? Quem ama tem de telefonar para 6 restaurantes diferentes até conseguir reservar uma mesa, lá bem no cantinho, e só disponível a partir das 22h30? O amor não é algo que se celebra todos os dias nos gestos maiores e mais pequenos desde que bombeados pelo orgão que dizem não ter alma, mas que é o mesmo que faz com que tudo tenha sentido?
Confunde-me este tal de S. Valentim que faz com que amor passe a ser visto com os olhos da carteira e não com os do coração. E é por isso que não celebro o dia, nem com m postalinho onde sorriem dois cães que nem sequer são de raça. Na minha vida o 14 de Fevereiro serve para celebrar outra raça: a da minha mãe que nasceu no dia do amor, embora o meu querido avô, com tanta vontade etilica celebrar, até lhe tenha trocado o sobrenome no registo. Nada que uma família que se ama não entenda enquanto troca berros entre a cozinha e a sala a decidir quem põe a mesa e quem abre o vinho. Isto sim é amor. O resto são invenções americanas que os chineses fazem lucrar.
Mas há um destes dias com marcação na agenda mundial que me deprime. E é um daqueles que está mesmo a chegar.
Já vi algumas almofadas pirosas a lembrar a celebração e até a minha fozeira florista favorita já se dedica a raminhos de valor super inflacionado só para celebrar o dia dos namorados.
Entendo que depois da euforia natalícia seja necessário que o comércio invente algo mais para espevitar as vendas de inicio de ano, mas não poderia ser um qualquer outro motivo que não o amor? Quem ama precisa de um dia marcado para o mostrar? Quem ama tem de (des)gastar dinheiro num presente quase infantilmente ridículo? Quem ama tem de telefonar para 6 restaurantes diferentes até conseguir reservar uma mesa, lá bem no cantinho, e só disponível a partir das 22h30? O amor não é algo que se celebra todos os dias nos gestos maiores e mais pequenos desde que bombeados pelo orgão que dizem não ter alma, mas que é o mesmo que faz com que tudo tenha sentido?
Confunde-me este tal de S. Valentim que faz com que amor passe a ser visto com os olhos da carteira e não com os do coração. E é por isso que não celebro o dia, nem com m postalinho onde sorriem dois cães que nem sequer são de raça. Na minha vida o 14 de Fevereiro serve para celebrar outra raça: a da minha mãe que nasceu no dia do amor, embora o meu querido avô, com tanta vontade etilica celebrar, até lhe tenha trocado o sobrenome no registo. Nada que uma família que se ama não entenda enquanto troca berros entre a cozinha e a sala a decidir quem põe a mesa e quem abre o vinho. Isto sim é amor. O resto são invenções americanas que os chineses fazem lucrar.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Do coração
De todas as crónicas escritas com o coração nas mãos, esta é a primeira em que ele está no sitio certo. Feliz. Completo. E tão estupidamente inconsciente que até me faz sair sem maquilhagem!
Na verdade há muito que deixei cair a máscara de noites mal dormidas, na verdade há muito que gosto só de quem gosta de mim, na verdade há muito que confronto cobardias, na verdade há muito que me limito a ser só eu independemente do que os outros possam pensar.
Mas este é um novo estado, uma noa condição que faz ser e estar sem invejas, só com olhos para o meu coração deixando as mãos livres para o que mais são precisas: para as dar (e para massacrar os meus discos, também!)
Se é verdade que música é coração, espera-me um Outono feito de hinos, de soulful house e de sorrisos partilhados com a vida. Nos ouvidos cristalinos de um publico sempre atento espero que isso também se note. Nota 10 para este ano de 2009 em recta final. Não chegam os Obrigadas a quem está comigo no caminho, a quem me canta Music is The Answer, a quem sabe como gosto da minha vodka, a quem me obriga a contar compassos porque nunca se está perto demais da perfeição.
Entre as perdas e tudo o que ganhamos não há qualquer duvida que a beleza reside no caminho e nunca no destino em si. Porque esse podemos re-escrever sempre que nos dermos ao trabalho de mudar o que outros têm como certo para nós.
Impossible is nothing. E que esse seja o lema das noites que estão para vir.
Na verdade há muito que deixei cair a máscara de noites mal dormidas, na verdade há muito que gosto só de quem gosta de mim, na verdade há muito que confronto cobardias, na verdade há muito que me limito a ser só eu independemente do que os outros possam pensar.
Mas este é um novo estado, uma noa condição que faz ser e estar sem invejas, só com olhos para o meu coração deixando as mãos livres para o que mais são precisas: para as dar (e para massacrar os meus discos, também!)
Se é verdade que música é coração, espera-me um Outono feito de hinos, de soulful house e de sorrisos partilhados com a vida. Nos ouvidos cristalinos de um publico sempre atento espero que isso também se note. Nota 10 para este ano de 2009 em recta final. Não chegam os Obrigadas a quem está comigo no caminho, a quem me canta Music is The Answer, a quem sabe como gosto da minha vodka, a quem me obriga a contar compassos porque nunca se está perto demais da perfeição.
Entre as perdas e tudo o que ganhamos não há qualquer duvida que a beleza reside no caminho e nunca no destino em si. Porque esse podemos re-escrever sempre que nos dermos ao trabalho de mudar o que outros têm como certo para nós.
Impossible is nothing. E que esse seja o lema das noites que estão para vir.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Da maledicência.
Como no futebol, é à noite que todos são especialistas nas mais variadas áreas… Todos são melhores Dj’s, melhores RP’s e melhores gerentes dos que os que estão efectivamente no terreno.
Sabemos que falar é fácil, fazer é que nem sempre é tanto e é sempre isso que distingue os treinadores de bancada daqueles que dão o corpo ao manifesto, é isso que distingue os bons dos medíocres, é isso que marca a diferença ou te faz um entre muitos.
Na minha área nocturna, actualmente a do djiing, a paranóia potencia-se até ao limite: são os contos e ditos, são as mentiras, e a maledicência sem motivo e são as pseudo novas estrelas levadas ao colo por lobbies e outras estratégias manhosas … Em nada são capazes de inovar, mas aprendem rápido a afiar a língua e a soltar ataques a quem já cá anda… E até tem muitas coisas para partilhar.
Enerva-me, mas sobretudo entristece-me que não exista uma verdadeira união nesta classe, que só se caracteriza pela falta da mesma. Entristece-me que os Dj’s não se unam a defender os seus direitos, mas que percam tempo a criticar o trabalho uns dos outros. Por isso é que muitos deles nunca passam do medíocre: não só porque perdem tempo a mais a falar dos outros, como porque não arriscam o suficiente para serem únicos.
A crise está instalada, generalizada, por isso é de la palisse a verdade que diz que o publico se quer é divertir. Preciosismos técnicos à parte, DJ que não faz a festa não deixa marca. DJ que não inova acaba por ser só mais um (ou uma), mesmo que seja cabeça de cartaz no flyer que cada vez menos usam.
Já disse nestas mesmas páginas que há espaço para os estilos e características de todos, verdade em que acredito tanto como acredito na magia da música e em momentos únicos por ela patrocinados.
Agora que o Verão já passou e regressamos ao trabalho e à vida real poupem-se a maledicências pois são elas que continuam a fazer de Portugal e de muitos portugueses um povo atrasado e retrógrada. Há gostos e gostos e já vi muitos donos da verdade serem rapidamente colocados no banco dos suplentes onde só fazem o que realmente sabem fazer: falar mal, sem lobbie que lhes valha. Não, não é um recado: só uma sugestão de quem tem tanto para fazer na vida, que a noite é só uma parte dela e nunca toda a vida em si.
Sabemos que falar é fácil, fazer é que nem sempre é tanto e é sempre isso que distingue os treinadores de bancada daqueles que dão o corpo ao manifesto, é isso que distingue os bons dos medíocres, é isso que marca a diferença ou te faz um entre muitos.
Na minha área nocturna, actualmente a do djiing, a paranóia potencia-se até ao limite: são os contos e ditos, são as mentiras, e a maledicência sem motivo e são as pseudo novas estrelas levadas ao colo por lobbies e outras estratégias manhosas … Em nada são capazes de inovar, mas aprendem rápido a afiar a língua e a soltar ataques a quem já cá anda… E até tem muitas coisas para partilhar.
Enerva-me, mas sobretudo entristece-me que não exista uma verdadeira união nesta classe, que só se caracteriza pela falta da mesma. Entristece-me que os Dj’s não se unam a defender os seus direitos, mas que percam tempo a criticar o trabalho uns dos outros. Por isso é que muitos deles nunca passam do medíocre: não só porque perdem tempo a mais a falar dos outros, como porque não arriscam o suficiente para serem únicos.
A crise está instalada, generalizada, por isso é de la palisse a verdade que diz que o publico se quer é divertir. Preciosismos técnicos à parte, DJ que não faz a festa não deixa marca. DJ que não inova acaba por ser só mais um (ou uma), mesmo que seja cabeça de cartaz no flyer que cada vez menos usam.
Já disse nestas mesmas páginas que há espaço para os estilos e características de todos, verdade em que acredito tanto como acredito na magia da música e em momentos únicos por ela patrocinados.
Agora que o Verão já passou e regressamos ao trabalho e à vida real poupem-se a maledicências pois são elas que continuam a fazer de Portugal e de muitos portugueses um povo atrasado e retrógrada. Há gostos e gostos e já vi muitos donos da verdade serem rapidamente colocados no banco dos suplentes onde só fazem o que realmente sabem fazer: falar mal, sem lobbie que lhes valha. Não, não é um recado: só uma sugestão de quem tem tanto para fazer na vida, que a noite é só uma parte dela e nunca toda a vida em si.
sábado, 20 de junho de 2009
Um género de… Cinderela
Não gosto de solha frita. Não gosto de água fria e não gosto de despedidas.
Não gosto do fim de noite, não gosto do fim de festa e não gosto dos primeiros raios de sol.
Não gosto quando me doem os pés. Não gosto de ter borbulhas a irromper por baixo da maquilhagem e não gosto de furar as meias naquela noite mais especial.
Não gosto de beber sem palha. Não gosto de shots pretos e não gosto de porteiros emproados.
Posto este meu desabafo, passo a papel uma atitude usual que tanto inquieta todos os meus amigos, como os conhecidos e inclusive os que não me gramam. Eu não gosto de despedidas (e de nenhuma das outras coisas da extensa lista acima exposta e que por motivos óbvios não vou replicar, pois não é minha intenção ser o vosso sonífero de serviço). Aliás, eu odeio despedidas de todo o tipo. Eu nunca digo adeus. Eu sou a miúda ao Até já, do Até logo.
Quando estou realmente no meu pior sou a do “Vou só ao WC”, “Embora, eu? Vou pousar a mala ao carro!” ou a melhor de todas: “Só um segundo que eu vou trocar para uns sapatos mais baixinhos” (como se isso existisse nos meus ensambles nocturnos).
Chama-se a isto sair à francesa e à muito boa gente que não gosta. Eu também não acho especialmente elegante, mas sempre é melhor que sair à francesa com uma tolada à Zidane, certo?
Eu não gosto mesmo de dizer adeus, em nada na minha vida. Isso explica o caos do meu armário, os meus 107 pares de sapatos e alguma outra tralha que não consigo sequer identificar a olho nu, mas à qual não consigo dizer adeus, já eras.
Sou assumidamente vintage (e nesta fase não compro nada que custe mais de 20 euros, também) o que me faz querer guardar as coisas mais antigas, como as chegadas, e não as partidas.
Não suporto ter de me despedir de todos os que gosto, adoro e amo (e de todas as que gosto, adoro e amo igualmente), sem me dar um ataque de melancolia tal que acabo só por beber mais um e mais cinco e, aí sim, ir-me embora.
Quando me despeço acontecem-me sempre coisas más: já estive a tentar falar para uma gaivota (mas a desnaturada não me respondeu!); já miei para gatos de variadas espécies e cores e ultimamente até tenho tentado parar na auto-estrada para fazer xixi de pé (e paro mesmo, mas não me parece um gesto natural além do que aquela ideia das pingas… em frente camaradas)!
O que diria o meu psicólogo se lesse isto? Nada, porque não tenho. Obviamente. Só não gosto de despedidas. Nem da piada da Cinderela que eu já perdi brincos e colares, roupa interior (ainda vá!), o cartão multibanco e até o perfume, mas se há coisa que nunca perderei será um sapato.
Por isso, na próxima que me virem sair á francesa não levem a mal. Saibam que estamos todos a evitar uma grande cena que faria rir qualquer nacionalidade. Eu sou assim, desaparecer é como chegar sempre atrasada: faz parte do meu charme natural, da minha aura de mistério, da minha (deixem-me pensar) dose de estupidez natural que faz com que os meus amigos já nem comentem, os conhecidos ainda perguntem e os que me odeiam rejubilem. Como vêem sou democrática, há um pedaço das minhas atitudes para todos os gostos.
Entretanto, lembrei-me agora, vou ali só trocar de sapatos e volto já, já.
Não gosto do fim de noite, não gosto do fim de festa e não gosto dos primeiros raios de sol.
Não gosto quando me doem os pés. Não gosto de ter borbulhas a irromper por baixo da maquilhagem e não gosto de furar as meias naquela noite mais especial.
Não gosto de beber sem palha. Não gosto de shots pretos e não gosto de porteiros emproados.
Posto este meu desabafo, passo a papel uma atitude usual que tanto inquieta todos os meus amigos, como os conhecidos e inclusive os que não me gramam. Eu não gosto de despedidas (e de nenhuma das outras coisas da extensa lista acima exposta e que por motivos óbvios não vou replicar, pois não é minha intenção ser o vosso sonífero de serviço). Aliás, eu odeio despedidas de todo o tipo. Eu nunca digo adeus. Eu sou a miúda ao Até já, do Até logo.
Quando estou realmente no meu pior sou a do “Vou só ao WC”, “Embora, eu? Vou pousar a mala ao carro!” ou a melhor de todas: “Só um segundo que eu vou trocar para uns sapatos mais baixinhos” (como se isso existisse nos meus ensambles nocturnos).
Chama-se a isto sair à francesa e à muito boa gente que não gosta. Eu também não acho especialmente elegante, mas sempre é melhor que sair à francesa com uma tolada à Zidane, certo?
Eu não gosto mesmo de dizer adeus, em nada na minha vida. Isso explica o caos do meu armário, os meus 107 pares de sapatos e alguma outra tralha que não consigo sequer identificar a olho nu, mas à qual não consigo dizer adeus, já eras.
Sou assumidamente vintage (e nesta fase não compro nada que custe mais de 20 euros, também) o que me faz querer guardar as coisas mais antigas, como as chegadas, e não as partidas.
Não suporto ter de me despedir de todos os que gosto, adoro e amo (e de todas as que gosto, adoro e amo igualmente), sem me dar um ataque de melancolia tal que acabo só por beber mais um e mais cinco e, aí sim, ir-me embora.
Quando me despeço acontecem-me sempre coisas más: já estive a tentar falar para uma gaivota (mas a desnaturada não me respondeu!); já miei para gatos de variadas espécies e cores e ultimamente até tenho tentado parar na auto-estrada para fazer xixi de pé (e paro mesmo, mas não me parece um gesto natural além do que aquela ideia das pingas… em frente camaradas)!
O que diria o meu psicólogo se lesse isto? Nada, porque não tenho. Obviamente. Só não gosto de despedidas. Nem da piada da Cinderela que eu já perdi brincos e colares, roupa interior (ainda vá!), o cartão multibanco e até o perfume, mas se há coisa que nunca perderei será um sapato.
Por isso, na próxima que me virem sair á francesa não levem a mal. Saibam que estamos todos a evitar uma grande cena que faria rir qualquer nacionalidade. Eu sou assim, desaparecer é como chegar sempre atrasada: faz parte do meu charme natural, da minha aura de mistério, da minha (deixem-me pensar) dose de estupidez natural que faz com que os meus amigos já nem comentem, os conhecidos ainda perguntem e os que me odeiam rejubilem. Como vêem sou democrática, há um pedaço das minhas atitudes para todos os gostos.
Entretanto, lembrei-me agora, vou ali só trocar de sapatos e volto já, já.
terça-feira, 12 de maio de 2009
If in Doubt
Sempre gostei de contar histórias, embora ache que as estórias são sempre as que nos têm mais para dizer. Sou assim em tudo na vida ou não fosse a minha máxima uma velha frase jornalística aplicada aos dias que hoje corremos: “If in doubt, live it out”.
Por isso, por gostar dessas estórias é que não concordo com essa máxima comum e dita pela maioria que o set de um DJ tem de ser uma progressão, que um set perfeito começa no deep e acaba no progressivo. Mas que grande pseudo-chachada !
Ultimamente tenho visto de tudo, DJ’s que tocam mixes acertados em casa, DJ’s que usam o Genius do iTunes para escolher um género de playlist e DJ’s que levam cábulas coladas em CD’s para que nada falhe… São tácticas em prol do publico, e por mim… Está tudo bem. Só não me queiram meter na cabeça que um bom DJ é o que evolui num set, porque isso me parece do mais monótono que pode haver.
Não sei exactamente a fórmula que pode fazer (ou não) um bom DJ, além do que tenho dito nestas mesmas páginas nos últimos meses, mas além de um entertainer, não acho que um DJ tenha de começar a tocar “baixinho” para só explodir quando o seu público já está mais cansado do que entusiasmado.
A magia, se alguns de nós ainda acreditam nela mais do que na precisão técnica, está em tocar com o coração. A música é, acima de qualquer outra coisa, um processo emocional por isso tentar aplicar-lhe a racionalidade de claras a crescer em castelo é, claramente embandeirar em arco e sair da noite sem as donzelas ganhas.
Existe, obviamente, uma ligação lógica entre determinadas malhas, mas desde quando é que os DJ’s se esquecerem que desconstruir pode ser uma mais-valia e realmente fazer a diferença? Ouço muita gente nova a querer entrar neste mercado e a afirmar que nunca tem uma oportunidade… E porque? Porque muitas vezes se limitam a copiar alinhamentos e as formas de tocar dos DJ’s que admiram… e acreditem uma cópia, nunca, nunca é melhor do que o original. Eu ainda acredito que há espaço para toda a gente… sobretudo para aqueles que estão dispostos a contar estórias e não histórias! Para isso já chegam os ditos discos que começam e acabam no mesmo ponto, como que rodando sem nunca sair do lugar. E para se ser mais do que apenas medíocre, há que arriscar.
Há dias, num fórum sobre DJs chamaram-me “ridícula”. O elogio não podia ser maior. Porque nos meus sets há sempre muito coração e porque eu amo o que faço. E claro, todos os amores têm o seu quê de ridículo. E depois…já sabem, esta crónica acaba como começou: “If in doubt, live it out”. Para os sets ficam as surpresas sempre com o coração a comandar os beats. Sim, é ao ritmo da música que bate o meu coração.
Por isso, por gostar dessas estórias é que não concordo com essa máxima comum e dita pela maioria que o set de um DJ tem de ser uma progressão, que um set perfeito começa no deep e acaba no progressivo. Mas que grande pseudo-chachada !
Ultimamente tenho visto de tudo, DJ’s que tocam mixes acertados em casa, DJ’s que usam o Genius do iTunes para escolher um género de playlist e DJ’s que levam cábulas coladas em CD’s para que nada falhe… São tácticas em prol do publico, e por mim… Está tudo bem. Só não me queiram meter na cabeça que um bom DJ é o que evolui num set, porque isso me parece do mais monótono que pode haver.
Não sei exactamente a fórmula que pode fazer (ou não) um bom DJ, além do que tenho dito nestas mesmas páginas nos últimos meses, mas além de um entertainer, não acho que um DJ tenha de começar a tocar “baixinho” para só explodir quando o seu público já está mais cansado do que entusiasmado.
A magia, se alguns de nós ainda acreditam nela mais do que na precisão técnica, está em tocar com o coração. A música é, acima de qualquer outra coisa, um processo emocional por isso tentar aplicar-lhe a racionalidade de claras a crescer em castelo é, claramente embandeirar em arco e sair da noite sem as donzelas ganhas.
Existe, obviamente, uma ligação lógica entre determinadas malhas, mas desde quando é que os DJ’s se esquecerem que desconstruir pode ser uma mais-valia e realmente fazer a diferença? Ouço muita gente nova a querer entrar neste mercado e a afirmar que nunca tem uma oportunidade… E porque? Porque muitas vezes se limitam a copiar alinhamentos e as formas de tocar dos DJ’s que admiram… e acreditem uma cópia, nunca, nunca é melhor do que o original. Eu ainda acredito que há espaço para toda a gente… sobretudo para aqueles que estão dispostos a contar estórias e não histórias! Para isso já chegam os ditos discos que começam e acabam no mesmo ponto, como que rodando sem nunca sair do lugar. E para se ser mais do que apenas medíocre, há que arriscar.
Há dias, num fórum sobre DJs chamaram-me “ridícula”. O elogio não podia ser maior. Porque nos meus sets há sempre muito coração e porque eu amo o que faço. E claro, todos os amores têm o seu quê de ridículo. E depois…já sabem, esta crónica acaba como começou: “If in doubt, live it out”. Para os sets ficam as surpresas sempre com o coração a comandar os beats. Sim, é ao ritmo da música que bate o meu coração.
sábado, 21 de março de 2009
Verão de Mossa!
Heroin Chic. Anoréctica. Ícone de estilo. Vodka Tónica… E foi preciso tanto tempo para reunir todos os sinónimos de Kate Moss.
Depois de James Bond, ela é possivelmente a agente mais perigosa ao serviço de sua majestade, a moda. Ironia do destino é descoberta ainda adolescente no aeroporto JFK e nesse tempo, Katie ainda, estava longe de adivinhar a Mossa que iria causar nos anos seguintes.
A anti super model dos anos 90, já posou para todas as marcas, para todos os fotógrafos famosos dando cara e corpo pelos produtos mais luxuosos do mundo. Mas não é pelas coisas que não podemos comprar que gostamos dela.
Depois da ascensão esperaríamos a inevitável queda, mas mesmo depois de ser apanhada com cocaína, mesmo depois da relação conturbada com Pete Doherthy, mesmo depois de todo o escândalo Kate Moss continua a ser a maior entre as grandes manequins do nosso tempo.
Eu, que não sou loira nem magra, adoro-a. Não pelo quer nos faz desejar sem existir cartão de crédito que o aguente. Não por ser amiga de Marc Jacobs. Não por ditar o que se veste e o que é para deixar no armário. Eu adoro a Kate Moss pela capacidade que tem de se manter real. Pelo ar perfeito e impecável com que entra nas festas… mas mais ainda pelo ar de party girl que mostra à saída. Por pisar firme as calçadas de uma Londres feita de excessos, apesar da avançada hora da manhã. E dos paparazzi. E das vodkas tónica.
Sim, que Kate Moss pode até fazer-nos acreditar que ficamos como ela de micro-calções e botins, mas o que ela inventou de melhor foram as Vodka Tónica. Não é um elogio ao álcool. È um elogio à vida. À boa vida! È que nos descobrimos o bebida perfeita meninas: sofisticada, fresca e leve! Exactamente como o Verão de 2009 que promete muitos tragos doces de musica e de festas. Muitas! Festas, claro. Quando a Vodkas… se conduzires não bebas, ou vai de táxi e aproveita para mostrar as pernas.
Ser loira e magra não é imperativo nos meses quentes que se avizinham, o que importa é sermos nós de bem com, e na nossa, pele. Bronzeada de preferência. Que é uma coisa que Miss Moss nunca irá conseguir.
Depois de James Bond, ela é possivelmente a agente mais perigosa ao serviço de sua majestade, a moda. Ironia do destino é descoberta ainda adolescente no aeroporto JFK e nesse tempo, Katie ainda, estava longe de adivinhar a Mossa que iria causar nos anos seguintes.
A anti super model dos anos 90, já posou para todas as marcas, para todos os fotógrafos famosos dando cara e corpo pelos produtos mais luxuosos do mundo. Mas não é pelas coisas que não podemos comprar que gostamos dela.
Depois da ascensão esperaríamos a inevitável queda, mas mesmo depois de ser apanhada com cocaína, mesmo depois da relação conturbada com Pete Doherthy, mesmo depois de todo o escândalo Kate Moss continua a ser a maior entre as grandes manequins do nosso tempo.
Eu, que não sou loira nem magra, adoro-a. Não pelo quer nos faz desejar sem existir cartão de crédito que o aguente. Não por ser amiga de Marc Jacobs. Não por ditar o que se veste e o que é para deixar no armário. Eu adoro a Kate Moss pela capacidade que tem de se manter real. Pelo ar perfeito e impecável com que entra nas festas… mas mais ainda pelo ar de party girl que mostra à saída. Por pisar firme as calçadas de uma Londres feita de excessos, apesar da avançada hora da manhã. E dos paparazzi. E das vodkas tónica.
Sim, que Kate Moss pode até fazer-nos acreditar que ficamos como ela de micro-calções e botins, mas o que ela inventou de melhor foram as Vodka Tónica. Não é um elogio ao álcool. È um elogio à vida. À boa vida! È que nos descobrimos o bebida perfeita meninas: sofisticada, fresca e leve! Exactamente como o Verão de 2009 que promete muitos tragos doces de musica e de festas. Muitas! Festas, claro. Quando a Vodkas… se conduzires não bebas, ou vai de táxi e aproveita para mostrar as pernas.
Ser loira e magra não é imperativo nos meses quentes que se avizinham, o que importa é sermos nós de bem com, e na nossa, pele. Bronzeada de preferência. Que é uma coisa que Miss Moss nunca irá conseguir.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Criaturas na noite
Depois da cabine, creio que o espaço que mais magnético de todo e qualquer Club é o balcão. Além de ser o topo de carreira para muitas manequins (e algumas pseudo também), é aquele local onde todas as outras mulheres desejam…. Dançar.
Já nem vale a pena falar do paupérrimo atendimento que é transversal a bares e clubs, e a coordenadas GPS, porque hoje estou só preocupada com a qualidade da dança que se pratica em cima dos pobres balcões e que pode mesmo cegar o olho incauto do utilizador comum que não saiu de casa para ser brindado com um espectáculo de depilação há anos 70.
Estão a imaginar? Pois, ainda bem: é que eu fui brindada com a imagem, não me limitei a imagina-la! E nem dos meus pesadelos mais cavernosos conseguia imaginar que era possível juntar tanta pilosidade à incapacidade de coordenar movimentos. Mas esta malta não anda a aprender nada com a MTV? Com os fatinhos da Lady Gaga? Com as coreografias da Beyoncé? (E ai de vocês que se travam a aprender alguma coisa com o Chris Brown!!!!)
Confirmam-se as minhas piores expectativas: se já são más atrás do balcão, com os seus ares enfezados de 48 quilos e a incapacidade de aprender a dizer “Boa Noite!”, em cima do balcão conseguem ainda ser piores sobretudo quando se esquecem que por baixo na minissaia há um território que todos nós queremos manter inexplorado. (bom, talvez não TODOS nós, mas eu certamente que sim!)
Dizem-me ao ouvido que sou eu que não estou a entender que a situação é Tectonic.
- “ Tecla que???”
Mas a ideia do Tectonic não é coordenar? È que até eu nas minhas idas (tão raras quanto suadas) idas ao ginásio consigo coordenar melhor os movimentos do step do que as aprendizes de feiticeiras de um composto etilicamente feito para esquecer.
É isso que peço assim que elas descem do balcão: exaustas e suadas com um ar ainda mais emproado. Era isso que estava a pedir nos últimos 20 minutos quando todas decidiram que dançar é que porreiro enquanto os clientes esperam, e esperam, e esperam…. E têm de tomar dois valiums para esquecer as imagens dessa noite.
E depois não me falem de crise, que esta foi experiência para me deixar dois meses sem vontade de sair do meu sofá novo… E nem é só pelo brinde “entranhas de moça que trabalha na noite” (adoro este “trabalha na noite”… como se na noite fosse uma coisa só para mentes superiores, como se na noite só possa trabalhar gente linda com ar de suspiro, e cabelo de sussurro ao vento), mas simplesmente porque ainda gosto de ser bem atendida e também quero dançar!!!! Afinal, foi para isso que vim aqui. Ah, e já agora, metam uma coisa na cabeça: quem vos paga o cachet somos nós, sim nós, aqueles que saem de casa sem andarem atrás da guest list. Por isso, depilem-se, coordenem-se, subam para cima do maldito balcão umas de cada vez e aí sim: let’s go girls. Quando a vocês homens, nem se atrevam! A não ser que eu consiga usar a vossa zona abdominal como tanque de lavar a roupa. Aí poderemos discutir os vossos passinhos de dança!
Já nem vale a pena falar do paupérrimo atendimento que é transversal a bares e clubs, e a coordenadas GPS, porque hoje estou só preocupada com a qualidade da dança que se pratica em cima dos pobres balcões e que pode mesmo cegar o olho incauto do utilizador comum que não saiu de casa para ser brindado com um espectáculo de depilação há anos 70.
Estão a imaginar? Pois, ainda bem: é que eu fui brindada com a imagem, não me limitei a imagina-la! E nem dos meus pesadelos mais cavernosos conseguia imaginar que era possível juntar tanta pilosidade à incapacidade de coordenar movimentos. Mas esta malta não anda a aprender nada com a MTV? Com os fatinhos da Lady Gaga? Com as coreografias da Beyoncé? (E ai de vocês que se travam a aprender alguma coisa com o Chris Brown!!!!)
Confirmam-se as minhas piores expectativas: se já são más atrás do balcão, com os seus ares enfezados de 48 quilos e a incapacidade de aprender a dizer “Boa Noite!”, em cima do balcão conseguem ainda ser piores sobretudo quando se esquecem que por baixo na minissaia há um território que todos nós queremos manter inexplorado. (bom, talvez não TODOS nós, mas eu certamente que sim!)
Dizem-me ao ouvido que sou eu que não estou a entender que a situação é Tectonic.
- “ Tecla que???”
Mas a ideia do Tectonic não é coordenar? È que até eu nas minhas idas (tão raras quanto suadas) idas ao ginásio consigo coordenar melhor os movimentos do step do que as aprendizes de feiticeiras de um composto etilicamente feito para esquecer.
É isso que peço assim que elas descem do balcão: exaustas e suadas com um ar ainda mais emproado. Era isso que estava a pedir nos últimos 20 minutos quando todas decidiram que dançar é que porreiro enquanto os clientes esperam, e esperam, e esperam…. E têm de tomar dois valiums para esquecer as imagens dessa noite.
E depois não me falem de crise, que esta foi experiência para me deixar dois meses sem vontade de sair do meu sofá novo… E nem é só pelo brinde “entranhas de moça que trabalha na noite” (adoro este “trabalha na noite”… como se na noite fosse uma coisa só para mentes superiores, como se na noite só possa trabalhar gente linda com ar de suspiro, e cabelo de sussurro ao vento), mas simplesmente porque ainda gosto de ser bem atendida e também quero dançar!!!! Afinal, foi para isso que vim aqui. Ah, e já agora, metam uma coisa na cabeça: quem vos paga o cachet somos nós, sim nós, aqueles que saem de casa sem andarem atrás da guest list. Por isso, depilem-se, coordenem-se, subam para cima do maldito balcão umas de cada vez e aí sim: let’s go girls. Quando a vocês homens, nem se atrevam! A não ser que eu consiga usar a vossa zona abdominal como tanque de lavar a roupa. Aí poderemos discutir os vossos passinhos de dança!
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Os putos, os putos!
Está tudo muito bem. É tudo muito bonito. O club está lindo, a musica no topo e a minha residência cada vez mais pró. Profissional. Proactiva. Pro óptimo.(e não, não ando a ler O Segredo).
O pró-blema é a chegada a casa. Eu até entro bem, tiro os sapatos no primeiro degrau, subo devagarinho, abro a porta com mil cuidados e, sim sou das bem-comportadas, até tiro a maquilhagem e hidrato a pele com qualquer coisa de orquídea negra que me custou os olhos da cara , embora essa seja, exactamente, a área a evitar.
Uma perfeita manhã de sono aguarda-me, finalmente… E eis senão que… começa o programa da Lucy! É como chegar inversamente ao Inferno. É como se de repente todos os meus pesadelos retro-pop-kitsch se tornassem realidade ao som dos gritos estridentes dos meus pequenos, não obstante ruidosos e até creio que obesos, vizinhos de cima.
Ora no meu tempo, e isso foi na ultima década do século passado, os desenhos animados eram feitos para acalmar as crianças. Nos ficávamos horas (anos, até!!!!) perdidos entre a Heidi e a Rua Sesámo com espreitadelas ao Tom Saywer e ao Bocas! Os desenhos animados não tinham como objectivo qualquer actividade física frenética. A verdade, é que no meu tempo, os desenhos animados eram feitos para nos por quietos. Eu via os desenhos animados na cama, não aos pinchos frenéticos no quarto de brincar. Até mesmo porque eu nem tinha quarto só meu!!!!
É injusto, e nem é para eles: é para mim!!!! Esta criançada de hoje em dia tem tudo: hamburgers (que eu também já não posso comer, pelo menos se pretender vestir um biquíni no próximo Verão), playstations (nem sei jogar, e nem as cor-de-rosa me convencem) e desenhos animados com apresentadoras vestidas como se fosse Carnaval todo o ano!
Eu acho que é esta ultima parte que lhes faz mal: potencia-lhes a testosterona e deixa os putos com mais energia do que uma palete de Red Bull, passo a publicidade à bebida e à apresentadora!
Um destes dias, inícios de dias, inclusivamente, perdi a cabeça e resolvi ler os estatutos do condomínio enquanto preparava a vassoura, e não, não era para voar para longe daqui: era para ir reclamar à porta dos diabretes! Foi remédio santo, adormeci no terceiro parágrafo, embora tenha lutado durante todo o meu sono com as imagens da Luciana Abreu em formato de mega-xuxa.
“- Bom, bom era que isto da Lucy fosse depois da hora do almoço, para toda a gente puder ver!”, diz o meu pai enquanto eu abro o olho e penso….Não há duvida, quanto mais velhos, mais babões. Preciso urgentemente de pintar o meu apartamento! E já agora, defensores dos pequenotes fiquem a saber mais uma coisinha: o melhor do mundo não são as crianças, o melhor do mundo é o Cristiano Ronaldo. E com esse até eu ia à bola, mesmo que só fossem 10h15 da manha!
O pró-blema é a chegada a casa. Eu até entro bem, tiro os sapatos no primeiro degrau, subo devagarinho, abro a porta com mil cuidados e, sim sou das bem-comportadas, até tiro a maquilhagem e hidrato a pele com qualquer coisa de orquídea negra que me custou os olhos da cara , embora essa seja, exactamente, a área a evitar.
Uma perfeita manhã de sono aguarda-me, finalmente… E eis senão que… começa o programa da Lucy! É como chegar inversamente ao Inferno. É como se de repente todos os meus pesadelos retro-pop-kitsch se tornassem realidade ao som dos gritos estridentes dos meus pequenos, não obstante ruidosos e até creio que obesos, vizinhos de cima.
Ora no meu tempo, e isso foi na ultima década do século passado, os desenhos animados eram feitos para acalmar as crianças. Nos ficávamos horas (anos, até!!!!) perdidos entre a Heidi e a Rua Sesámo com espreitadelas ao Tom Saywer e ao Bocas! Os desenhos animados não tinham como objectivo qualquer actividade física frenética. A verdade, é que no meu tempo, os desenhos animados eram feitos para nos por quietos. Eu via os desenhos animados na cama, não aos pinchos frenéticos no quarto de brincar. Até mesmo porque eu nem tinha quarto só meu!!!!
É injusto, e nem é para eles: é para mim!!!! Esta criançada de hoje em dia tem tudo: hamburgers (que eu também já não posso comer, pelo menos se pretender vestir um biquíni no próximo Verão), playstations (nem sei jogar, e nem as cor-de-rosa me convencem) e desenhos animados com apresentadoras vestidas como se fosse Carnaval todo o ano!
Eu acho que é esta ultima parte que lhes faz mal: potencia-lhes a testosterona e deixa os putos com mais energia do que uma palete de Red Bull, passo a publicidade à bebida e à apresentadora!
Um destes dias, inícios de dias, inclusivamente, perdi a cabeça e resolvi ler os estatutos do condomínio enquanto preparava a vassoura, e não, não era para voar para longe daqui: era para ir reclamar à porta dos diabretes! Foi remédio santo, adormeci no terceiro parágrafo, embora tenha lutado durante todo o meu sono com as imagens da Luciana Abreu em formato de mega-xuxa.
“- Bom, bom era que isto da Lucy fosse depois da hora do almoço, para toda a gente puder ver!”, diz o meu pai enquanto eu abro o olho e penso….Não há duvida, quanto mais velhos, mais babões. Preciso urgentemente de pintar o meu apartamento! E já agora, defensores dos pequenotes fiquem a saber mais uma coisinha: o melhor do mundo não são as crianças, o melhor do mundo é o Cristiano Ronaldo. E com esse até eu ia à bola, mesmo que só fossem 10h15 da manha!
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Take That, DJ!
Ele sempre foi o meu favorito, e embora não tenha regresso com os quatro, como quem grita “Take That!”, para mim Robbie Williams é mesmo o senhor. Entretenimento. Puro. Como na cabine também deve ser.
Perguntam-me muitas vezes porque é que alguns Dj’s chegam lá e outros nem tanto.
Perguntam-me até como é que replicando os mesmos temas na mesma ordem uns são reis e outros apenas lacaios de um império musical que não quer ninguém sentado no trono, porque é a dançar que se consegue a coroa.
A palavra é comum, curta e transversal a várias áreas da sociedade: carisma. Há os que têm e os que não têm. Há os que tentam fingir, os que copiam e os que simplesmente mantêm os olhos na parafernália de botões que têm de dominar e se esquecem que “quem não comunica, se estripa!”.
O ano que acaba de dizer adeus teve um pouco de tudo, prémios merecidos, passagens dos melhores do mundo por Portugal, namoros de Dj’s com celebridades e a consolidação de alguns nomes no mercado que além da técnica e do gosto musical, dominam realmente essa que é a arte de comunicar. Assim num género de “Take That! Aprendam que eu não duro sempre e olhar nos olhos o publico que se tem à frente é meio caminho andado para ganhar a multidão!”
É que… quando saímos de casa dispostos a ouvir um DJ, queremos musica, sim, mas queremos mais do que isso, puder ver o artista em questão. E não queremos ver um Dj triste e deprimido. Queremos festa. A festa pura. As palmas, os refrões cantados aos gritos, os braços no ar: um conceito total de entretenimento.
É por isso que há os que sobem cada vez mais degraus, nacional e internacionalmente, e os que se perdem entre discos e técnicas que, embora essenciais, não chegam para marcar a diferença. E estes, os que a marcam, fazem história num país de naturais maldizentes velhos do Restelo aos quais só restam restolhos de fama e nenhum proveito.
Aproveito, para afirmar que um Dj o é mais completo quanto mais comunicar com o seu publico. Porque a música não é um canal único. A música tem um emissor e um receptor e os pólos têm de estar em sintonia para que possamos chegar a casa com aquela sensação que nos faz dizer: “esta noite é que foi!”.
Esta é a frase que eu quero repetir todas as noites até ao final de 2009, e se pelo caminho alguém me conseguir um autógrafo do Robbie Williams ficarei eternamente agradecida. E que além de comunicador, amigos, aquilo é que é um pedaço… de carne! (e não o que a minha mãe compra no talho!!!!)
Perguntam-me muitas vezes porque é que alguns Dj’s chegam lá e outros nem tanto.
Perguntam-me até como é que replicando os mesmos temas na mesma ordem uns são reis e outros apenas lacaios de um império musical que não quer ninguém sentado no trono, porque é a dançar que se consegue a coroa.
A palavra é comum, curta e transversal a várias áreas da sociedade: carisma. Há os que têm e os que não têm. Há os que tentam fingir, os que copiam e os que simplesmente mantêm os olhos na parafernália de botões que têm de dominar e se esquecem que “quem não comunica, se estripa!”.
O ano que acaba de dizer adeus teve um pouco de tudo, prémios merecidos, passagens dos melhores do mundo por Portugal, namoros de Dj’s com celebridades e a consolidação de alguns nomes no mercado que além da técnica e do gosto musical, dominam realmente essa que é a arte de comunicar. Assim num género de “Take That! Aprendam que eu não duro sempre e olhar nos olhos o publico que se tem à frente é meio caminho andado para ganhar a multidão!”
É que… quando saímos de casa dispostos a ouvir um DJ, queremos musica, sim, mas queremos mais do que isso, puder ver o artista em questão. E não queremos ver um Dj triste e deprimido. Queremos festa. A festa pura. As palmas, os refrões cantados aos gritos, os braços no ar: um conceito total de entretenimento.
É por isso que há os que sobem cada vez mais degraus, nacional e internacionalmente, e os que se perdem entre discos e técnicas que, embora essenciais, não chegam para marcar a diferença. E estes, os que a marcam, fazem história num país de naturais maldizentes velhos do Restelo aos quais só restam restolhos de fama e nenhum proveito.
Aproveito, para afirmar que um Dj o é mais completo quanto mais comunicar com o seu publico. Porque a música não é um canal único. A música tem um emissor e um receptor e os pólos têm de estar em sintonia para que possamos chegar a casa com aquela sensação que nos faz dizer: “esta noite é que foi!”.
Esta é a frase que eu quero repetir todas as noites até ao final de 2009, e se pelo caminho alguém me conseguir um autógrafo do Robbie Williams ficarei eternamente agradecida. E que além de comunicador, amigos, aquilo é que é um pedaço… de carne! (e não o que a minha mãe compra no talho!!!!)
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Dos RP’s e outros k tais
Tenho por hábito, sem monge, mas ainda muito monga, após o meu banho matinal sentar-me no PC e perceber o que me espera em mais um dia.
Abro o meu Hotmail e dele salto para o Hi5. Alguns comentários, alguns fives e exactamente trinta e seis mil setecentas e cinquenta e oito mensagens.
Humpf. Abro a primeira página para entender que são missivas replicadas até à exaustão por um qualquer RP, de um qualquer Club, por um DJ qualquer, por alguém que acha que uma chain letter o vai fazer enriquecer ou mesmo um qualquer pedido de sangue.
Até suportaria que me inundassem a caixa de informação praticamente inútil caso, na maioria dos casos, não fosse completamente estúpida e sem sentido. Para além de, geralmente, mal escrita, existe até um tipo de linguagem com K e afins que eu simplesmente não consigo entender.
Abro uma das mensagens para ter a certeza que não dei a ninguém o direito de me fazer perder tempo e lá estão eles… os Kapas por todo o lado, num convite que é tudo menos apelativo, que não trás a morada do club, que não me diz quem vai tocar, e sobretudo que me faz sentir apenas mais uma na imensa Guest List de alguém… que não conheço.
Sempre pensei que o trabalhos dos RP’s, e de outros que tais, era um trabalho de humanização nesta nossa industria nocturna. Um trabalho que os levava a tratar os clientes por tu e não a querer enfiar carneiros pelos porta dentro para ganhar o euro de cada cartão. Mesmo porque contar carneiros é coisa que faz dormir.
Percebam RP’s: ainda que vocês trabalhem o vosso segmento de público, e esse possa efectivamente ainda não ter bigode ou maminhas para encher o decote, há também mais gente pela noite. Gente que, vá, gosta de ser bem tratada e gente que tem dinheiro para gastar o que me parece uma mais-valia no cenário de crise instalada.
Gente normal que tem um Hi5 normal para mostrar o seu trabalho ou para estar em contacto com os amigos e gente que não precisa de receber a mesma mensagem 16 vezes. SEGUIDAS. O excesso de informação, também desinforma. Banaliza. Desinteressa.
Mas a koisa não fica por aki. Quando até vou a um desses espaços que tanto me informaram durante a semana, ninguém sabe ao certo quem são os RP’s, onde estão e mesmo o que fazem. É frustante! Penso eu que afinal já tenho uma relação, que há alguém que gosta de mim e depois entendo que é tudo tão falso quanto os Rolex comprados em Cabo Verde (tenho três!!!!) Por isso, façam-me um favor. Quando estiverem colados ao PC a mandar a mensagem de semana, antes de mais escrevem-na direito e depois tentem enviar só uma vez. É que eu sou daquele género de pessoas bastante comum que percebe as coisas à primeira e… quem tem K nem sempre escapa de um carimbo de estúpido bem no meio dos olhos.
Já agora, martinichic.hi5.com & Boas Festas!!!!!
Abro o meu Hotmail e dele salto para o Hi5. Alguns comentários, alguns fives e exactamente trinta e seis mil setecentas e cinquenta e oito mensagens.
Humpf. Abro a primeira página para entender que são missivas replicadas até à exaustão por um qualquer RP, de um qualquer Club, por um DJ qualquer, por alguém que acha que uma chain letter o vai fazer enriquecer ou mesmo um qualquer pedido de sangue.
Até suportaria que me inundassem a caixa de informação praticamente inútil caso, na maioria dos casos, não fosse completamente estúpida e sem sentido. Para além de, geralmente, mal escrita, existe até um tipo de linguagem com K e afins que eu simplesmente não consigo entender.
Abro uma das mensagens para ter a certeza que não dei a ninguém o direito de me fazer perder tempo e lá estão eles… os Kapas por todo o lado, num convite que é tudo menos apelativo, que não trás a morada do club, que não me diz quem vai tocar, e sobretudo que me faz sentir apenas mais uma na imensa Guest List de alguém… que não conheço.
Sempre pensei que o trabalhos dos RP’s, e de outros que tais, era um trabalho de humanização nesta nossa industria nocturna. Um trabalho que os levava a tratar os clientes por tu e não a querer enfiar carneiros pelos porta dentro para ganhar o euro de cada cartão. Mesmo porque contar carneiros é coisa que faz dormir.
Percebam RP’s: ainda que vocês trabalhem o vosso segmento de público, e esse possa efectivamente ainda não ter bigode ou maminhas para encher o decote, há também mais gente pela noite. Gente que, vá, gosta de ser bem tratada e gente que tem dinheiro para gastar o que me parece uma mais-valia no cenário de crise instalada.
Gente normal que tem um Hi5 normal para mostrar o seu trabalho ou para estar em contacto com os amigos e gente que não precisa de receber a mesma mensagem 16 vezes. SEGUIDAS. O excesso de informação, também desinforma. Banaliza. Desinteressa.
Mas a koisa não fica por aki. Quando até vou a um desses espaços que tanto me informaram durante a semana, ninguém sabe ao certo quem são os RP’s, onde estão e mesmo o que fazem. É frustante! Penso eu que afinal já tenho uma relação, que há alguém que gosta de mim e depois entendo que é tudo tão falso quanto os Rolex comprados em Cabo Verde (tenho três!!!!) Por isso, façam-me um favor. Quando estiverem colados ao PC a mandar a mensagem de semana, antes de mais escrevem-na direito e depois tentem enviar só uma vez. É que eu sou daquele género de pessoas bastante comum que percebe as coisas à primeira e… quem tem K nem sempre escapa de um carimbo de estúpido bem no meio dos olhos.
Já agora, martinichic.hi5.com & Boas Festas!!!!!
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Porto - Ibiza
No regresso de uma semana caliente, não escaldante, em Eivissa dou por mim presa nas 6 horas de espera em Barajas. O corpo pede cama, ou pelo menos, que o mantenha etilicamente feliz de acordo com a (des)regra dos últimos dias.
Como se a Isla Blanca se tivesse transformado num enorme sinal proibido fui avisada por todas as autoridades competentes na matéria que Ibiza, em outubro, não é uma boa opção. Não é seuqer, uma opção. A season já encerrou levando com ela os melhores Dj's do mundo nas miticas noites que fazem desta a balear mais desejada pelos clubbers de todo o mundo (já aos futebolistas aconselho vivamente Palma de Maiorca!)
Na verdade e como procurava mais descanso que festa (sim, que a idade não perdoa e preciso de manter o aka "festas" intacto em território tuga) ignorei os ditos avisos e obviamente fiquei desconcertada quando percebi que até o Café mambo já tinha encerrado as portas àqueles que veraneiam para além do óbvio. Space, Amnésia ou DC 10 já tinham deixado Ibiza como se se quisessem despedir, o mais rapidamente possível, daquele que foi o mais fraco verão dos últimos 10 anos.
Num sábado à noite feito com mil pessoas no Pachá (dez eurinhos para entrar!) a indumentária é mais maiorquina que ibicença, embora o apurado som continue a lembrar que estamos num dos mais míticos Clubs do mundo. À saída, num merchandise onde Ofir tem dois ff's dou por mim a pensar que no meu país à beira-mar plantado nem se está é nada mal.... pelo menos quando o tema é festa.
claro que eu também gosto é do verão, mas sei que não tenho de fazer a festa com prazo marcado. Nos meus ouvidos, ainda que o som possa ser um pouco menos límpido, vão continuar a estar os melhores Dj's do mundo, mesmo enquanto a temperatura desce e de tenha de trocar as amadas sandálias pelas meias opacas (ladies, must-have da estação!)
Não, não... não estou a fazer a apologia da "pobrezinha". Não, não é a treteira história de defender as cores nacionais (eu nem gosto de usar vermelho e verde, DAH!) é a conclusão legitima de quem teve o imenso prazer de conhecer uma Ibiza pitoresca e quase rural num Outubro ainda quente e feito de biquínis.
Já não há Danny Tenaglia, já não há Erick Morillo. Nos espaços que ainda abrem alguma house music dá lugar aos ritmos latinos que agora irão sustentar a crowd que reside na ilha e que tem de ter opções que vão além dos cinco meses onde TUDO se centra na ilha mais cool do mundo. Ou... centrava. Em ibiza, agora, a música se se pode ouvir entre as 6 da tarde e as 6 da manhã deixando um hiato na agenda dos milhares que procuram ritmos non-stop.
Tenho, por isso, para mim que a minha Ibiza é a que vai vencer na próxima season. Uma ilha deslumbrante feita à medida de um sonho de verão, mas como muito menos festa: com data e hora para morrer como se nunca tivesse ousado quebrar uma regra.
Os fins de tarde já são mais frios, sopra um vento que fecha definitivamente portas e janelas... mas o por do sol continua a ser, provavelmente, o melhor do mundo... E enquanto o vento parece apontar a Grécia como o novo destino para a noite sossego o meu lado "festas" a pensar que pelo meu País vão continuar a passar os melhor do mundo. E só por isso, um muito Obrigada.
Como se a Isla Blanca se tivesse transformado num enorme sinal proibido fui avisada por todas as autoridades competentes na matéria que Ibiza, em outubro, não é uma boa opção. Não é seuqer, uma opção. A season já encerrou levando com ela os melhores Dj's do mundo nas miticas noites que fazem desta a balear mais desejada pelos clubbers de todo o mundo (já aos futebolistas aconselho vivamente Palma de Maiorca!)
Na verdade e como procurava mais descanso que festa (sim, que a idade não perdoa e preciso de manter o aka "festas" intacto em território tuga) ignorei os ditos avisos e obviamente fiquei desconcertada quando percebi que até o Café mambo já tinha encerrado as portas àqueles que veraneiam para além do óbvio. Space, Amnésia ou DC 10 já tinham deixado Ibiza como se se quisessem despedir, o mais rapidamente possível, daquele que foi o mais fraco verão dos últimos 10 anos.
Num sábado à noite feito com mil pessoas no Pachá (dez eurinhos para entrar!) a indumentária é mais maiorquina que ibicença, embora o apurado som continue a lembrar que estamos num dos mais míticos Clubs do mundo. À saída, num merchandise onde Ofir tem dois ff's dou por mim a pensar que no meu país à beira-mar plantado nem se está é nada mal.... pelo menos quando o tema é festa.
claro que eu também gosto é do verão, mas sei que não tenho de fazer a festa com prazo marcado. Nos meus ouvidos, ainda que o som possa ser um pouco menos límpido, vão continuar a estar os melhores Dj's do mundo, mesmo enquanto a temperatura desce e de tenha de trocar as amadas sandálias pelas meias opacas (ladies, must-have da estação!)
Não, não... não estou a fazer a apologia da "pobrezinha". Não, não é a treteira história de defender as cores nacionais (eu nem gosto de usar vermelho e verde, DAH!) é a conclusão legitima de quem teve o imenso prazer de conhecer uma Ibiza pitoresca e quase rural num Outubro ainda quente e feito de biquínis.
Já não há Danny Tenaglia, já não há Erick Morillo. Nos espaços que ainda abrem alguma house music dá lugar aos ritmos latinos que agora irão sustentar a crowd que reside na ilha e que tem de ter opções que vão além dos cinco meses onde TUDO se centra na ilha mais cool do mundo. Ou... centrava. Em ibiza, agora, a música se se pode ouvir entre as 6 da tarde e as 6 da manhã deixando um hiato na agenda dos milhares que procuram ritmos non-stop.
Tenho, por isso, para mim que a minha Ibiza é a que vai vencer na próxima season. Uma ilha deslumbrante feita à medida de um sonho de verão, mas como muito menos festa: com data e hora para morrer como se nunca tivesse ousado quebrar uma regra.
Os fins de tarde já são mais frios, sopra um vento que fecha definitivamente portas e janelas... mas o por do sol continua a ser, provavelmente, o melhor do mundo... E enquanto o vento parece apontar a Grécia como o novo destino para a noite sossego o meu lado "festas" a pensar que pelo meu País vão continuar a passar os melhor do mundo. E só por isso, um muito Obrigada.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Auf wiedersehen *
Conheci-o nos meus vintes.
Eu tinha toda a ingenuidade e vontade de viver típica da idade. Ele tinha toda a alegria de viver de alguém que já tinha passado por muitas etapas de uma vida cheia de brilho. De festa.
Eu achava-o um menino que se tinha esquecido de crescer. Embebido num sorriso aberto, num discurso enigmático que a mim parecia um recado sempre mais complexo do que conseguia entender.
Atribuía aos menos vintes essa incapacidade ao mesmo tempo que condenada o chapéu desfasado. Naquele tempo, era tempo de criticar tudo o que não se compreendia e sempre o que nos metia medo por não se compreender. Então aquelas botas lilás…
Por culpa de uma timidez que só agora consigo dominar perdi a grande oportunidade de sorver mais o sorriso e a sabedoria do doutor boémio. Do homem que marcou a memória de tantos espaços, de tantas festas, de tantas noites que não teriam a mesma magia sem a presença do Aires.
O Rui. O Rui de uma geração de anfitriões que já não há. Daqueles que nos faziam sentir em casa em cada noite. Daqueles que criam uma história em cada copo, mesmo que ele fosse só isso: mais um copo de mais uma noite.
Há coisas assim na noite que só podem ser, que só existem dentro dela… Há pessoas de quem gostamos assim, de graça sem que a cumplicidade ou que a amizade sejam mais do que circunstanciais e tão turvas quanto o avançar da hora.
Único na forma de estar, único em cada conversa, único numa forma de viver noite que existe cada vez menos e que perde, assim, mais um bocadinho de magia.
Soube por SMS. Corria curta e fria em todos os telemóveis nessa sexta-feira. Ao princípio pousamos os copos. Não queríamos acreditar. É uma mania humana esta de querer negar o que já se tem como inevitável.
E no meio dos rostos incrédulos alguém começou imediatamente a trautear: “Parapapa!”
Nunca soube, talvez ainda por ingenuidade ou pela timidez me ter feito perder o episódio, o que o Rui queria dizer com este “Parapapa!”, mas dizia. Dizia muitas vezes. Tantas que tenho o jeito na memória. A voz na memória. O sorriso na memória.
A vida não deixa de ser irónica, quando minutos depois o mash up assinado por Henri Josh com Dirty South e Elite Troops rebenta nas colunas. Toda a gente canta em uníssono: “Parapapapapaa!” e de repente sabemos que essa tua magia está cá. Que tu, Rui, com os teus chapéus e botas lilás estarás sempre cá, enquanto para alguns de nós a noite for só e sempre uma festa. Adeus e sempre, para sempre, um muito obrigada.
Eu tinha toda a ingenuidade e vontade de viver típica da idade. Ele tinha toda a alegria de viver de alguém que já tinha passado por muitas etapas de uma vida cheia de brilho. De festa.
Eu achava-o um menino que se tinha esquecido de crescer. Embebido num sorriso aberto, num discurso enigmático que a mim parecia um recado sempre mais complexo do que conseguia entender.
Atribuía aos menos vintes essa incapacidade ao mesmo tempo que condenada o chapéu desfasado. Naquele tempo, era tempo de criticar tudo o que não se compreendia e sempre o que nos metia medo por não se compreender. Então aquelas botas lilás…
Por culpa de uma timidez que só agora consigo dominar perdi a grande oportunidade de sorver mais o sorriso e a sabedoria do doutor boémio. Do homem que marcou a memória de tantos espaços, de tantas festas, de tantas noites que não teriam a mesma magia sem a presença do Aires.
O Rui. O Rui de uma geração de anfitriões que já não há. Daqueles que nos faziam sentir em casa em cada noite. Daqueles que criam uma história em cada copo, mesmo que ele fosse só isso: mais um copo de mais uma noite.
Há coisas assim na noite que só podem ser, que só existem dentro dela… Há pessoas de quem gostamos assim, de graça sem que a cumplicidade ou que a amizade sejam mais do que circunstanciais e tão turvas quanto o avançar da hora.
Único na forma de estar, único em cada conversa, único numa forma de viver noite que existe cada vez menos e que perde, assim, mais um bocadinho de magia.
Soube por SMS. Corria curta e fria em todos os telemóveis nessa sexta-feira. Ao princípio pousamos os copos. Não queríamos acreditar. É uma mania humana esta de querer negar o que já se tem como inevitável.
E no meio dos rostos incrédulos alguém começou imediatamente a trautear: “Parapapa!”
Nunca soube, talvez ainda por ingenuidade ou pela timidez me ter feito perder o episódio, o que o Rui queria dizer com este “Parapapa!”, mas dizia. Dizia muitas vezes. Tantas que tenho o jeito na memória. A voz na memória. O sorriso na memória.
A vida não deixa de ser irónica, quando minutos depois o mash up assinado por Henri Josh com Dirty South e Elite Troops rebenta nas colunas. Toda a gente canta em uníssono: “Parapapapapaa!” e de repente sabemos que essa tua magia está cá. Que tu, Rui, com os teus chapéus e botas lilás estarás sempre cá, enquanto para alguns de nós a noite for só e sempre uma festa. Adeus e sempre, para sempre, um muito obrigada.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Rímel, Laca & Companhia.
Eu tenho um probleminha.
São uns tubos que levam gelo, uma palhinha e uma enormidade de calorias que fazem rir. Ai rir! Ai, se fosse só isso! Ai. O proble-minha é que ligo o botão de on e desgraço os ouvidos dos incautos que apanho pelo tímpano.
Há dias um parvalhão (do) auricular disse-me que eu falo mesmo muito. Cabisbaixa, mas de orelhas sempre levantadas olhei para o gelo no fundo do meu copo e achei que estava a mais. Não na conversa – menos, Belchior! -, mas no trio de interlocutores que ansiavam pela minha ausência com tanta pressa quanto conseguimos dizer: Arranjem um quarto!
O WC era a escapatória mais próxima. Lá dentro, nesse reino do pó de arroz, um grupo de guapitas dava os últimos retoques na mascara da segurança que iriam usar nessa noite.
“- Sabes o que eu queria mesmo hoje, amiga? Laca, rímel e um homem! Por esta ordem.”
Pensei que deveria ser exactamente o contrário: que ela deveria querer um homem capaz de apreciar o laquê e esborratar o rímel. Sem ordem. O progresso deveria ter-nos feito acreditar mais no culto do ser do que do parecer, mas parece-me que quem não se parece bem vai sozinho para casa. Que o diga a Jane Fonda que inventou a aeróbica e que aos 70 vende laca de hipermercado enquanto os rappers da treta – alguns até falam mais do que eu! - rimam sublime com Maybelline. E eu tenho um probleminha? A minha mania de botar faladura é mínima comparada à opção de ter laca e rímel em vez de boa companhia.
Será que não vale mais ser uma companhia hiper-mega-ri-fixe – ainda que menos oxigenada, plastificada – do que ser um ser que facilmente se troca por produtos de beleza? È que se realmente o que nos vai na alma deixou de importar alguém que me avise! Que em vez de eu própria, passo a enviar para os in-ventos um poster devidamente passado ao photoshop mais ou menos com a minha altura e nos meus melhores dias.
Há gente irritante. Que los hay, hay. Também há malcheirosos, deprimentes e festeiros. No meio do imenso maranhal de caras, maquilhagens e estilos há sempre alguém que vale mais a pena do que os tubos calóricos, os de rímel e os de laca. Por esta ordem.
- Knoc. Knoc. “Está ocupada?”
Estou. Ocupada a pensar no que será de nós que só sabemos comunicar pelo MSN, pelo Skype, pelo Hi5, pelo ICQ, pelo SMS que nunca expressa a devida emoção. Estou. Com um copo a mais que já estou a deprimir até o rolo de papel higiénico onde desenhei dois olhinhos com o meu lápis Chanel (só para não me sentir tão sozinha, snif).
- “Preciso mesmo de tirar o sapato que me está a magoar e conheci um giro que só quer dançar. Não se importa?”
UFO! (Mariana go home!) Afinal ainda há esperança. Quando finalmente uma mulher junta sapatos e companhia na mesma frase a noite já não pode correr mal. (Só espero que não se distraia e não use o papel Chanel…)
São uns tubos que levam gelo, uma palhinha e uma enormidade de calorias que fazem rir. Ai rir! Ai, se fosse só isso! Ai. O proble-minha é que ligo o botão de on e desgraço os ouvidos dos incautos que apanho pelo tímpano.
Há dias um parvalhão (do) auricular disse-me que eu falo mesmo muito. Cabisbaixa, mas de orelhas sempre levantadas olhei para o gelo no fundo do meu copo e achei que estava a mais. Não na conversa – menos, Belchior! -, mas no trio de interlocutores que ansiavam pela minha ausência com tanta pressa quanto conseguimos dizer: Arranjem um quarto!
O WC era a escapatória mais próxima. Lá dentro, nesse reino do pó de arroz, um grupo de guapitas dava os últimos retoques na mascara da segurança que iriam usar nessa noite.
“- Sabes o que eu queria mesmo hoje, amiga? Laca, rímel e um homem! Por esta ordem.”
Pensei que deveria ser exactamente o contrário: que ela deveria querer um homem capaz de apreciar o laquê e esborratar o rímel. Sem ordem. O progresso deveria ter-nos feito acreditar mais no culto do ser do que do parecer, mas parece-me que quem não se parece bem vai sozinho para casa. Que o diga a Jane Fonda que inventou a aeróbica e que aos 70 vende laca de hipermercado enquanto os rappers da treta – alguns até falam mais do que eu! - rimam sublime com Maybelline. E eu tenho um probleminha? A minha mania de botar faladura é mínima comparada à opção de ter laca e rímel em vez de boa companhia.
Será que não vale mais ser uma companhia hiper-mega-ri-fixe – ainda que menos oxigenada, plastificada – do que ser um ser que facilmente se troca por produtos de beleza? È que se realmente o que nos vai na alma deixou de importar alguém que me avise! Que em vez de eu própria, passo a enviar para os in-ventos um poster devidamente passado ao photoshop mais ou menos com a minha altura e nos meus melhores dias.
Há gente irritante. Que los hay, hay. Também há malcheirosos, deprimentes e festeiros. No meio do imenso maranhal de caras, maquilhagens e estilos há sempre alguém que vale mais a pena do que os tubos calóricos, os de rímel e os de laca. Por esta ordem.
- Knoc. Knoc. “Está ocupada?”
Estou. Ocupada a pensar no que será de nós que só sabemos comunicar pelo MSN, pelo Skype, pelo Hi5, pelo ICQ, pelo SMS que nunca expressa a devida emoção. Estou. Com um copo a mais que já estou a deprimir até o rolo de papel higiénico onde desenhei dois olhinhos com o meu lápis Chanel (só para não me sentir tão sozinha, snif).
- “Preciso mesmo de tirar o sapato que me está a magoar e conheci um giro que só quer dançar. Não se importa?”
UFO! (Mariana go home!) Afinal ainda há esperança. Quando finalmente uma mulher junta sapatos e companhia na mesma frase a noite já não pode correr mal. (Só espero que não se distraia e não use o papel Chanel…)
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